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Notícia
19.11.2024
Walk&Talk – Bienal de Artes: a primeira edição dedica-se a Gestos de Abundância

A decorrer em toda a ilha de São Miguel entre 25 de setembro e 30 de novembro de 2025, a primeira edição da Walk&Talk – Bienal de Artes convida o público a explorar as abundantes interseções entre cultura, ecologia e espiritualidade.

Inspirando-se nas paisagens únicas e nas histórias estratificadas dos Açores, esta primeira edição, intitulada Gestos de Abundância, coloca uma questão transformadora: como podemos alterar a nossa perceção de escassez para uma de abundância cooperativa?

Com a curadoria e programação desenvolvidas por uma rede comunitária de artistas, curadores e equipas, a Walk&Talk – Bienal de Artes inspira-se na inteligência coletiva para explorar a criação, a experiência e a sustentabilidade das práticas artísticas. A equipa principal inclui as curadoras convidadas Claire Shea (Toronto, Canadá), Fatima Bintou Rassoul Sy (Dakar, Senegal), Liliana Coutinho (Lisboa, Portugal), e o diretor artístico e curador Jesse James (Açores, Portugal), num trabalho de colaboração e envolvimento criativo com as equipas da organização.

Entre os primeiros nomes a apresentar comissões inéditas para 2025, contam-se artistas Alice Visentin, ANDLab, Candice Lin, Colectiva MALVA, Ebun Sodipo, Helle Siljeholm, Gala Porras-Kim, Janilda Bartolomeu, Joana Sá, Lucy Bleach, Mae-Ling Lokko, Maria Emanuel Albergaria, Meg Stuart & Forum Dança, Nadia Belerique, Resolve Collective, Uhura Bqueer & Soya the Cow, bem como coproduções com Hotel Europa e Os Possessos. Mais serão confirmados nos próximos meses.

O Arquipélago dos Açores é considerado como um território ultraperiférico, cuja primeira relação é por vezes a de escassez, onde ainda muito falta fazer no que diz respeito às práticas artísticas contemporâneas. Na história da curadoria, encontramos vários exemplos de como trabalhar assumidamente a partir da falha, do que está em falta. O exercício de alterar esta abordagem impõe-se como forma de redescobrir, não o que falta, mas o que há, o que já está, até mesmo em abundância e, a partir daí, tecer relações que dão mais realidade comum, partilhada, ao que existe ou está ainda em potência.

Prosseguindo e estendendo o trabalho desenvolvido pelo festival homónimo que lhe deu origem, a programação da primeira edição da Bienal Walk&Talk sublinhará a história da profusão diversa deste lugar, através do gesto de o olhar, não na sua dimensão ultraperiférica, mas como um dos centros possíveis a partir do qual apreender os sentidos dos mundos que temos criado.

Ou seja, em vez de falta, Gestos de Abundância parte de uma zona de grande diversidade bio-cultural, cuja riqueza pode ser trazida à superfície por um trabalho de considerar e nutrir as sinergias e o fazer em comum, propondo-se, a partir daí, a abrir futuros possíveis.

Através da programação, pretende-se analisar a noção de comum e de outras formas de nos envolvermos com o político: sonhar, colaborar, instituir, negociar espaços para viver, e revelar possibilidades concretas, mitos e esperanças. Estes conceitos irão guiar a pesquisa curatorial e dar forma à estrutura programática da bienal, influenciando tanto a tipologia de atividades e ações a serem apresentadas como os processos de convite aos artistas e outros agentes.

Abrir-se-á também o processo curatorial, convidando artistas de todas as disciplinas e geografias a partilharem as suas ideias através de uma Open Call. Às propostas selecionadas, serão concedidas duas bolsas de criação, incluindo uma residência artística e a apresentação na bienal. Mais, haverá também uma Open Call destinada a programadores a trabalhar na região dos Açores. Todos os detalhes de participação serão divulgados em breve.

A Walk&Talk — Bienal de Artes é um projeto Anda&Fala — Associação Cultural, estrutura financiada pelo Governo dos Açores, República Portuguesa / DGArtes e Câmara Municipal de Ponta Delgada.